...mesmo que Tenhamos Planejado Caminhos Diferentes
“...e pude-me ver sem nem ao menos tocar, atravessar o portão de tua casa que anos atrás carregava as cores de nossa flâmula, derrubar a porta de tua sala com um suspiro, vagarosamente subi as escadas, ouvindo o estralar dos azulejos que costumávamos pisar de mãos dadas e conversávamos aos sussurros, não por haver ali algum perigo, mas sentir que estávamos tão juntos que não precisávamos berrar me fazia tão bem... pela fechadura, adentrei teu quarto e olhei teu rosto que de tão belo, me hipnotizou, senti a falta de algo no peito, algo que alterava e evidenciava o seu funcionamento, tornando-se nitidamente claro seu pulsar quando eu estava aqui presente também em corpo, senti a falta de algo que há algum tempo não de mim mais é propriedade, algo que está espalhado por cada centímetro de teu corpo, algo que se ramifica por tuas veias e circula por todo o teu ser, algo que vaza pelos teus poros e transborda por teus olhos quando em mim empenha teus pensamentos... algo que graças a ti, eu não acredito mais na existência... “isso não existe”... não existe em mim, pois o que era meu, a ti foi concedido, esse tão estranho e indefinido sentimento... e quando percebi que por mim não sentia nada Eu, Homem Feito, Tive Medo e Não Consegui Dormir e aqui estou... para visitar-te pela ultima vez, pois de onde meu corpo jaz ele não poderá sair e sabendo disso pediu para entregar a teu rosto uma mensagem de meus lábios...”
dói tanto saber demais...
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