Culpa...
.Desesper(o)ança.

Entrou em casa e viu que tinha novas mensagens, mensagens essas que ele preferiu nem conferir, clicou no play e ouviu o resto daquela musica que estava a ouvir há horas. Clicou no repeat e com um brilho nos olhos, esperou em vão que mais algumas repetições daqueles versos enfim pudesse saciar aquela saudade do que ele ainda não conheceu...
Abriu a carteira de cigarros, tirou o primeiro, o encarou e como fazia antes, fez um desejo – ele ainda não sabe se comprou o maço de cigarro para fumá-lo ou para apenas fazer o desejo – virou-o de ponta cabeça e colocou-o novamente na carteira. Pegou um caderno pequeno de folhas de papel reciclado, uma lapiseira – ele odiava escrever com elas – uma borracha, aquela almofada que imitava os desenhos da pele de uma onça e sentou-se num dos sofás. Olhou a foto que tinha colocado no celular e engoliu o choro “-Está cedo ainda”.
Refletiu por alguns segundos olhando para aquela foto até que a proteção de tela do celular entrasse e apagasse-a, desejou que sua mente também possuísse uma “proteção de tela”, ou o coração, um outro tipo de proteção. Levantou e foi até a estante: Nomes conhecidos e marcas famosas habitam os rótulos daquelas garrafas, todas elas foram presentes. Ele pegou a que tinha a marca mais famosa e que parecia ser a mais cara, afinal, ninguém ali iria beber aquilo mesmo. Tirou a tampa e sentiu o cheiro forte vindo de dentro da garrafa, o liquido era marrom amarelado e o sabor ele desconhecia. Encheu um copo, que a principio, serviria de cinzeiro e como via nos filmes, bebeu tudo de uma vez, num gole só: viu estrelas e sentiu o peito a queimar, fez uma careta e esfregou os olhos que deixaram escapar uma umidade exagerada para somente lubrificar os olhos. Olhou pro teto e repetiu o nome dela uma dúzia de vezes. Pegou o maço de cigarro, e acendeu um deles com o isqueiro à gás que ele guardara desde a época do ensino médio. Teorizou aos sussurros que acender cigarros era igual a andar de bicicleta: nunca se esquece como. Fitou novamente a foto no celular, dando uma longa tragada e hipnotizado, quase esquece de soltar a fumaça, fazendo-o tossir. Deu mais duas tragadas longas e derrubou uma parte das cinzas no copo. Olhou para o os ponteiros do relógio e sentiu que estava pronto. Empenhou-se a colocar as palavras naquelas linhas que com o efeito do álcool tornavam-se sinuosas. Jogou o que sobrou do cigarro no copo e tomou um gole da bebida no próprio gargalo.
Uma madrugada, algumas juras e incontáveis injurias, uma, duas, três folhas e meia preenchidas pelos traços tortos e assimétricos daquele grafite 0.5, uma garrafa pela metade e dezenove cigarros fumados em poucas horas entre outras estatísticas e o vazio ainda preenchia aquele Ser.
“ - Quem sabe, esse cigarro virado preencha-me e eu enfim comprove que eu estava certo ao crer que tinha encontrado a minha metade...”
Uma coisa que sempre o deixou desesperançoso foi o seu excesso esperança...
Os Anjos...
O Mundo Anda Tão Complicado
Ela: Ah, 'Fulana' é Linda...
Ele: Eu também achava, mas a personalidade dela mudou um pouco (como era de se esperar com tantas mudanças na vida dela), e ela tornou-se apenas um rostinho bonito... que pra mim, serve apenas pra enfeitar revistas e não pra ficar ao meu lado...
(8) Pra você é mais fácil...
Cansei de tentar e olhar para um (novo) rosto lembrando você.
Jaz feliz
Era meio do ano, ou Outono talvez, mas isso não importa mais... as folhas caiam... Perto do penhasco, embaixo daquela arvore alta e negra eles se viram pela primeira vez, eram completamente diferentes – ficaram espantados. Ele se atreveu e tocou-lhe a mão, ela corou-se... a arvore, chorou mais uma rajada de folhas e o céu tornou-se branco como a pele dela que mais parecia uma boneca de gesso... Numa tarde tão igual aquela, ele disse Adeus sem mexer os lábios e ela se perguntava em silencio o ‘por que’, não sentia raiva por ele partir e sim raiva dela mesmo por se apaixonar tão fácil e não aceitar as perdas. Ela voltou àquela arvore e como as folhas, deixou-se cair um pouco mais do que a grama que rodeava a arvore permitia, o penhasco não era tão alto assim – os minutos passaram tão vagarosos que pareciam estar voltando no tempo, os segundos, minutos, horas, dias, quinzenas, meses... Ela re-viu o rosto dele em pedaços, esquartejado pelas lágrimas que ela deixava escapar nas noites solitárias e bem perto do fim ela entendeu o “porque”, deixou o sarcasmo e orgulho de lado: uma lagrima negra rolou após um sorriso de alívio e ao tocar o chão, como qualquer outra boneca de gesso... espatifou-se.
