domingo, 4 de janeiro de 2009

. Loser

Posted in by teoria_de_viver | Edit


Palavras são só palavras, lembra? As que o vento leva e as que têm o poder de ferir profundamente, sendo assim “Essas fendas deveriam estar no teu corpo e não no meu”... mas o que seria isso então que invade minha cútis, ultrapassa minha carne e toca minha alma? Qual cura pra essa dor? O tempo não curará – assim como ele não cura nada sozinho – e as feridas só se fecharão quando algo para cobri-las eu encontre... mas até la, vai doer, vai incomodar e sangrar... tudo bem, ninguém disse que seria fácil mesmo...
Não sei se essa dificuldade de esquecer as coisas se deve a algo que eu fiz / faço mas ultimamente está ficando mais dificultoso esquecer fatos / palavras / gestos... talvez eu não colabore... como por exemplo, revirar aqueles cds antigos que você guarda numa caixa de sapatos empoeirada sabe? E consequentemente, encontrei alguns cds colossais de bandas que eu nem lembro que eu escutava, coloquei um no aparelho de DVD e comecei a ouvir, o cd pulava algumas faixas, tudo bem... normal... reconheci a voz do Samuel Rosa e meus olhos brilharam quando começou os primeiros versos de Acima do Sol, um sorriso tímido e o constrangimento comigo mesmo tomou meu ser... não sei se a palavra certa seria ‘engraçado’ mas é como se algumas letras de musica – independente do ritmo – falam sobre coisas que passam-se comigo, talvez com todos... Acima do Sol já embalou muitas noites de insônia em que o caderno e a lapiseira me ajudavam a esquecer aqueles abraços e beijos perdidos da pessoa que eu admirava em segredo nos primórdios da escola e de minha pré-puberdade. “-É só uma paixonite, não se preocupe...” e assim eu fiz, não me preocupei e a perdi pra sempre... uma coisa tão... Acima do Sol...
E os primeiros versos de Tanto me fazem desenhar o teu nome no ar... e me esforço pra lembrar que eu não te quero mais...
“Coveiros gemem tristes ais e realejos ancestrais juram que eu não devia mais querer você. Os sinos e os clarins rachados zombando tão desafinados querem, eu sei, mas é pecado eu te perder”
E as palavras cantadas batem na porta de minha memória e reviram em minhas lembranças o desenho imaginário de teu rosto que faz de meus dedos pinceis e o ar que me rodeia tela, assim, fazendo-me artista, desenhando-te na neblina de oxigênio e dando-te um abraço que esfarela-te diante de mim te perdendo por entre meus braços...

E tudo é tão bobo, imaturo e talvez sincero demais para que alguém acredite...
...singelas palavras escritas por mim e pra ninguém...














*lembranças e memórias de uma tarde em que revirar álbuns e ouvir cds antigos me faz uma pessoa melhor mesmo que as feridas que eu pensava estarem cicatrizadas, voltem a sagrar...