Era meio do ano, ou Outono talvez, mas isso não importa mais... as folhas caiam... Perto do penhasco, embaixo daquela arvore alta e negra eles se viram pela primeira vez, eram completamente diferentes – ficaram espantados. Ele se atreveu e tocou-lhe a mão, ela corou-se... a arvore, chorou mais uma rajada de folhas e o céu tornou-se branco como a pele dela que mais parecia uma boneca de gesso... Numa tarde tão igual aquela, ele disse Adeus sem mexer os lábios e ela se perguntava em silencio o ‘por que’, não sentia raiva por ele partir e sim raiva dela mesmo por se apaixonar tão fácil e não aceitar as perdas. Ela voltou àquela arvore e como as folhas, deixou-se cair um pouco mais do que a grama que rodeava a arvore permitia, o penhasco não era tão alto assim – os minutos passaram tão vagarosos que pareciam estar voltando no tempo, os segundos, minutos, horas, dias, quinzenas, meses... Ela re-viu o rosto dele em pedaços, esquartejado pelas lágrimas que ela deixava escapar nas noites solitárias e bem perto do fim ela entendeu o “porque”, deixou o sarcasmo e orgulho de lado: uma lagrima negra rolou após um sorriso de alívio e ao tocar o chão, como qualquer outra boneca de gesso... espatifou-se.
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