domingo, 2 de novembro de 2008

Até onde e o que realmente vale a pena?

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As vezes me da vontade de olhar para o espelho e dizer pra mim mesmo o que eu devo melhorar, o que devo fazer e no que devo realmente pensar... mas me perco e não escuto as palavras que entram pelos meus ouvidos no mesmo momento que saem da minha boca... ouvidos que como pericialmente foi diagnosticado, não funcionam mais com a mesma eficiência que deveria funcionar... nem precisa ser medico para descobrir que um dos maiores causadores dessa anomalia seja o fato de meu melhor amigo serem os fones de ouvido... os mesmos que estão em meus ouvidos nesse instante, vomitando as palavras de Heaven Help Us em meus ensurdecidos tímpanos... volto-me para o espelho preso em minha parede de azulejos verdes e grito que sou um idiota, que sempre faço tudo errado... e por um instante ouço que os gritos saem por entre os labios de minha bocarra mas a frase entra no meu ouvido com tua voz, com teus gritos enfurecidos... os mesmos gritos que eu ouvi na noite em que nós dois sangramos juntos pela ultima vez... a noite em que minha vista embaçou-se e a agulha penetrou meu braço, a fumaça minha boca e as partículas em pó, o meu nariz... a noite em que não dormi e dancei uma valsa comigo mesmo em meu quarto, acordando aos gritos meus parentes e meus vizinhos... que em gargalhadas, engasgando com aquilo que eu não sabia se era vomito ou saliva, sangue ou vinho tentei explicar o que aconteceu comigo... apaguei...

Olhando para algum lugar dessas paredes verdes, jurei ver teu rosto, teu dedo me apontando algo que carregava na outra mão, levantei e corri com passos vagarosos e arrastados para a parede a qual eu vi tua miragem, como sempre, mais uma alucinação, mas um dos efeitos controversos, mas um efeito seu, prezado pó branco, querida e venerada dama de bela cor que lembra a minha alma de anos atrás, que deixa meus olhos da cor das pontas de meus dedos... que me fazem correr para o telefone e criar um diálogo monólogo, um diálogo surdo-mudo que não me faz entender... uma vez disse que eu amava escrever e os papeis e a caneta eram meus melhores amigos... alguém se lembra? O papel me satisfaz quando está enrolado em algo e a caneta, quando sua carga está fora de seu tubo, com as duas extremidades a vista... abertas... assim como as feridas que não se mostram por minha pele e fazem parecer que eu estou bem, forte e sadio dentro de minha pele pálida de veias arroxeadas, olhos quebradiços e cara de sono sem sono nenhum... sabe, nunca perguntou-se porque durmo pouco e sempre depois das duas da manhã? Nunca mesmo? Sua falta de curiosidade desperta a minha...

Por mais de uma vez, eu jurei que estava no mesmo lugar que você, no mesmo ambiente, compartilhando o mesmo ar, inalando o mesmo cheiro de cigarro que saia de minha mão e chegava até as narinas feridas, e de verdade, pensei que eu estivesse delirando ou que fosse mais um efeito tolo de algo que eu tivesse consumido na noite... mas, ao menos que eu saiba, alucinações não são tangíveis e impressos em papel Polaroid... papeis que mancham se molhados com algo que brota de meus olhos e de minhas veias... não queira saber como descobri isso...

Sofrer é tão fútil se boa parte desse sofrimento é eliminado no fundo de mais um copo vazio... só sofre quem quer, estou certo? E realmente, é tão fútil dizer ser incerto, se eu já sei o que me torna alegre, o que me deixa bem, o que me faz esquecer... não quero mais teus olhos castanhos e muito menos meus olhos vermelhos, quero apenas minhas pupilas dilatadas e o verde dos olhos do que me traz a paz e o sono que nenhuma sarjeta suja e nenhum abraço confortante me trouxe...


Talvez tudo mesmo seja a maneira que eu encontrei pra acabar com meus dias.